A manhã de ontem foi de protesto em frente a sede da Caixa Econômica Federal (CEF), em Sergipe. Aglomerados na entrada principal do órgão, dezenas de famílias associadas a movimentos populares de moradia cobravam aceleramento na construção e repasse das casas previamente previstas para as pessoas com baixa aquisição financeira. Na menor unidade federativa do Brasil, cerca de 400 famílias estão cadastradas e aptas para receber esse benefício federal, e aguardam apenas que a instituição bancária repasse o dinheiro para as construtoras. Após esses tramites burocráticos os imóveis devem começar a ser erguidos. Entre os manifestantes havia famílias que atualmente residem no Casarão do Parque e travam uma batalha judicial com a Prefeitura de Aracaju.

Alegando não ter para onde ir com a esposa e mais dois filhos, Andrey dos Santos Lima, desempregado e que realiza bicos como segurança de festas, disse aguardar há mais de dois anos por uma promessa feita por gestores públicos e que ainda não saíram do papel. Presente no ato público, ele ressaltou ainda a necessidade da promoção de reuniões semestrais a fim de inibir que manifestações mais representativas possam ser promovidas nas intermediações da CEF. ?Viemos aqui para conversar e não para causar maiores problemas. Estamos apenas questionando o porquê que essa verba está demorando tanto para ser repassado já que o projeto já está pronto e só falta a Caixa fazer o seu papel?, disse.

Compartilhando com a indagação de Andrey, o coordenador do Movimento Sem Teto de Sergipe, Gilberto Oliveira, enalteceu a constante dificuldade enfrentada pelos populares na luta pela sobrevivência. Em entrevista o líder social citou os variados confrontos entre invasores, agentes municipais e da Polícia Militar que são ordenados pela justiça a promover a reintegração de posse. Segundo Gilberto, parte dos problemas poderia ser resolvida sem conflitos. ?Só quem não passa por isso vive recriminando nossos atos. Muitas pessoas não tem ideia como é difícil manter uma família formada por quatro ou cinco pessoas com um salário que não chega nem a base do mínimo?, lamentou.

Não descartando a possibilidade de articular um acampamento coletivo no pátio da Caixa Econômica, o coordenador afirmou que a paciência dos futuros beneficiados está se esgotando. Sem uma resposta positiva até a próxima sexta-feira, 11, ou que ao menos satisfaça as famílias, a tendência é que o local seja invadido ainda esse mês como forma de pressionar a superintendência regional. ?A ideia não é e nem será de promover danos ao patrimônio, apenas cogitamos essa possibilidade por perceber que nossas reivindicações não estão sendo atendidas. Queremos transparência nesse tramite. De uma vez por todas, se não houver avanço iremos intensificar as manifestações?, pontuou.

Risco de infestação da Dengue preocupa aracajuanos

O período de chuva se aproxima e com ele a preocupação dos governos com a possibilidade de infestação do mosquito Aedes Aegypti, responsável pela transmissão da Dengue. Em virtude do acumulo de água das chuvas, os meses de maio, junho e julho costumam apresentar evolução nos registros clínicos em todas as unidades de pronto atendimento. Este ano, conforme dados apresentados pela Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o último mês de março apresentou números surpreendentes que posicionam a capital sergipana em um nível considerado médio risco ou alerta. O estudo foi confirmado pelo Levantamento de Índice Rápido do Aedes (LIRA), e apontou ainda que cinco bairros apresentaram alto risco.

Entre os citados estão: Cirurgia, Cidade Nova, São José, Suissa e Santa Maria. Próximo ao Santa Maria, o bairro 17 de Março, assim como os demais que formam a Zona de Expansão, também requer atenção por parte das coordenadorias de combate à Dengue. Paralelo a instabilidade climática e desatenção por parte dos próprios moradores, a greve dos agentes de endemias contribuiu para o avanço nos casos. Em menos de dois meses a direção do LIRA apontou uma evolução que passou de 2,4 em Janeiro, para 2,9 na primeira quinzena de março. De acordo com Taise Cavalcante, coordenadora do Programa de Controle da Dengue de Aracaju, é preciso intensificar o combate em virtude desse progresso negativo.

?Esses números apontam um crescimento significativo no número de bairros que passaram de números satisfatórios para situação de alerta. Os demais bairros apresentaram um índice que não gera preocupações, mas nos demais cinco nos causam atenção para evitar novos casos. Entre eles o Cirurgia e o Suíssa que são vizinhos e reúnem uma grande quantidade de moradores e frequentadores?, disse. Apesar dos problemas causados com a paralisação dos agentes, quem transita por estes dois bairros citados pode se deparar com ambientes excepcionais para a proliferação dos mosquitos. Além dos terrenos abandonados e sem o serviço de capinagem, pneus são aglomerados por lojas de serviço automotivo, garrafas pet espalhadas pelas calçadas e cacos de planta sem os devidos cuidados.

?Faz tempo que não vejo nenhum daqueles fiscais de casa andando por aqui, mas infelizmente as pessoas também não tem o cuidado de evitar a dengue, muito menos cobram dos vizinhos para que se responsabilizem?, declarou a professora de banca escolar, Neide Menezes. Questionada quanto as ações de prevenção adotadas por ela, a docente foi dura na resposta. ?Eu faço a minha parte, se os outros não fazem, eu acabo pagando o pato porque o mosquito sai desses focos e vem pra minha casa. Posso até parecer chata na vizinhança, mas faço isso pelo bem coletivo?, pontuou.

Nos últimos dois anos foram notificados 1.034 casos em Sergipe. Mais de 65% desses registros foram oficializados em Aracaju que no último mês de outubro apresentava 16 bairros em estado de alerta. ?Estamos reduzindo esses números. Ano passado o número de casos reduziu 76% segundo a Organização Mundial de Saúde. Precisamos do apoio de todos para que essa porcentagem seja ainda menor no final deste ano?, declarou Taíse.

Por Milton Júnior


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