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Os últimos desdobramentos da crise política no Brasil, principalmente a nomeação do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil e a divulgação dos grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal (PF) em condições controversas, deixam alguns editorialistas europeus estarrecidos.

Em Portugal, o jornal Público divulga nesta sexta-feira (18) um editorial virulento sobre a crise: No Brasil, sem limites para o descaramento. O texto afirma que entre apoiadores do governo Dilma e defensores do impeachment “uns clamam ‘corruptos’, outros gritam ‘golpistas’, mas ninguém age de forma inatacável no indecoroso circo que se apossou da vida política e institucional brasileira”. Além disso, destaca que “da presidente aos juízes, tudo parece contaminado por um desnorteio geral”.

O jornal português considera que a nomeação de Lula no governo “não pode ter outra justificação que não seja protegê-lo do juiz que ele não quer enfrentar ou de uma eventual ordem de prisão”. Ressalta que “ninguém acredita que Dilma se tenha lembrado que lhe faltava um ministro e que Lula era precisamente o indicado”. Segundo o jornal, se Dilma “acusa de golpistas os que querem derrubá-la, as armas que usa são idênticas e a nomeação de Lula é um golpe”.

Falta de isenção do poder judiciário é criticada

O diário Público demonstra repulsa pela falta de isenção do poder judiciário brasileiro, citando a liminar do juiz Itagiba Catta Preta para suspender a posse de Lula. O juiz é um “notório apoiante de Aécio Neves, adversário de Dilma nas eleições presidenciais”, que pede ajuda a seus amigos no Facebook para ajudar a derrubar a presidente, diz o texto do editorial.

O jornal espanhol El Pais diz que de alarme em alarme, o Brasil afunda a cada dia em um caos político, jurídico e social. O jornal escreve que a presidenta Dilma Rousseff cometeu um delito ao nomear Lula para permitir que ele escape da justiça. O Congresso acionou a contagem regressiva da destituição da presidente, diz El Pais, ao se referir à criação da comissão especial do impeachment.

O jornal britânico The Guardian lembra que após um fim de uma semana marcado pelo drama político, pelo caos e por protestos maciços contra o governo, militantes pró e contra Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula farão novas manifestações nesta sexta-feira em várias cidades do país. O diário informa que ontem o Congresso formou a comissão de análise do pedido de impeachment. E, segundo analistas ouvidos pelo Guardian, a comissão está dividida. O diário assinala que um dos integrantes da comissão, o deputado Paulo Maluf, foi recentemente condenado a três de prisão na França por lavagem de dinheiro.

Jornal francês condena atitude do juiz Sérgio Moro

Na França, o jornal de esquerda Libération refere-se a Lula como “um ícone destruído”. Em duas páginas de reportagem sobre a situação do ex-presidente, Libération afirma que “mitos também podem morrer”. Líder histórico do Partido dos Trabalhadores, aclamado no mundo inteiro por seu charme , seu carisma e seu sucesso por ter tirado 40 milhões de pessoas da pobreza em seus dois mandatos, Lula agora tenta escapar da prisão, algo impensável até mesmo por seus adversários, escreve Libération.

Le Figaro diz que o medo começa a tomar conta do Brasil. “Medo de ser agredido nas ruas por não pensar igual a seu próximo e também de ver o país cair no vazio diante da batalha final pela decisão de manter ou não de Dilma Rousseff no cargo.”

Segundo Le Figaro, a atitude de Sérgio Moro de divulgar escutas telefônica é “chocante”. Além de ilegais, o jornal lembra que as gravações foram feitas duas horas após o juiz ter pedido a interrupção das escutas.

O jornal Les Echos se refere à situação como uma descida ao inferno para a presidente Dilma. O diário francês afirma que economistas e investidores temem que Brasil passe de uma recessão para uma profunda depressão econômica. Os mercados, diz Les Echos, apostam no final do governo petista.

Fonte: msn


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