Sem assinar com o nome da banda, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá começam turnê tocando discos inteiros do grupo de rock

Divulgação/Fernando Schlaepfer
Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá estão comemorando os lançamentos dos discos de sucesso Dois e Que País é Este, da Legião Urbana.
Mesmo não usando o nome do grupo, os ex-integrantes da banda vão tocar os álbuns na íntegra, em uma turnê por diversas cidades (veja serviço abaixo).
Marcelo Bonfá conta como surgiu a ideia do espetáculo.
— A turnê anterior veio na esteira dos 30 anos do lançamento do nosso primeiro disco, o Legião Urbana (1985). A gente sempre esteve muito forte no palco, mas acabamos fazendo poucos shows, então era a oportunidade de levarmos estas canções para a estrada. Foi uma experiência e uma resposta de público incríveis. Foram muitos os pedidos para que fizéssemos a turnê do Dois (1986). Resolvemos incluir o Que País é Este (1987), pois os três álbuns fazem parte de uma trilogia que marca o primeiro momento musical da banda.
Dado Villa-Lobos fala do repertório da turnê, com todas as faixas dos discos espalhadas pelo show.
— O Dois é tão emblemático e forte na discografia da Legião Urbana porque conseguimos passar pela “síndrome do segundo disco”. O Renato falava que o segundo trabalho era “o que dizia se você veio pra ficar ou se está só de passagem”. E a gente acreditou nisso e fomos adiante (risos). Nele, tem Tempo Perdido, Quase Sem Querer, Eduardo e Mônica, Índios, entre outras. Então, decidimos juntar este álbum com o Que País é Este, que fecha um primeiro ciclo da Legião como banda de estúdio.

Reprodução/CD
Bonfá relembra os principais momentos das gravações de Dois e Que País é Este.
— Era um momento desafiador, de muita cobrança e expectativa. A gente estava em um processo de mudança de Brasília para o Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que fazíamos shows no interior, levando uma vida desregrada demais, para ainda termos que ir para a gravadora e compor. Foi uma fase complicada, mas isso tudo fez com que colocássemos uma “lente de aumento” nesse trabalho e saíram coisas belíssimas. O Dois é um dos grandes discos da Legião e há uma sintonia entre nós e essas músicas.
Dado complementa que “as coisas iam acontecendo no estúdio”, pois os integrantes ainda não tinham muita experiência.
— Lembro do Renato planejando cada detalhe do Dois. Antes de começarmos a gravar, ele me deu um k7 (fita) com grandes nomes da música tocando violão, como Cat Stevens, Paul McCartney e Eric Clapton. E falou: “Vai ouvindo aí”. A verdade é que o disco veio com muitos violões, como em Quase Sem Querer, Eduardo e Mônica e o final de Tempo Perdido. Foi tudo preparado e pensado, mas éramos muito jovens. Talvez o Renato tivesse uma noção mais concreta, mas estávamos um pouco inseguros e não sabíamos exatamente o que estávamos fazendo.

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Como resultado, a Legião Urbana gravou canções que continuam conquistando um público jovem, que comparece em peso aos shows. Dado concorda que as composições “envelheceram” muito bem, durante todos os anos.
— Se existe uma qualidade no repertório da Legião, é que a maioria das letras ainda se faz perfeitamente audível e perceptível e continua com essa possibilidade transformadora. Músicas como Será, com o verso “tire suas mãos de mim/eu não pertenço a você” ou “vamos dar um tempo/um dia a gente se vê”, de Ainda é Cedo, são atemporais. Falar sobre o amor é um tema universal, apesar de termos sido taxados como uma banda muito politizada. Eu ouço essas canções e ainda percebo coisas que até então não tinha notado.
O guitarrista ainda comenta sobre a influência política contida nos textos de Renato Russo.
— E, falando de Que País é Este, cantávamos essa música em 1979, quando o nosso presidente era o João Figueiredo (do “Plante que o João garante”). Agora, a gente tem um presidente de esquerda preso e uma eleição bem embolada e complicada vindo por aí. Infelizmente, ela continua sendo atual.

Divulgação/Fernando Schlaepfer
Além de Dado na guitarra e Bonfá na bateria, o projeto conta com os vocais do premiado André Frateschi, músico que acompanha a dupla desde o ano passado. A guitarra e o violão ficam por conta de Lucas Vasconcellos, os teclados e programações são de Roberto Pollo e o baixo de Mauro Berman (que também assina a direção musical do show).
Mesmo mantendo uma formação competente nos palcos, Dado descarta gravar um disco de inéditas com Frateschi e muito menos usando o nome do grupo dos anos 80.
— A Legião acabou com a morte do Renato. Fizemos um pacto: se faltar um de nós, a banda acaba. Sendo assim, não existe a possibilidade de se fazer novas canções ou gravar um disco. Desde o início, a ideia desse projeto é levar o repertório da Legião para os fãs saudosos ou aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ouvir essas músicas tocadas por nós, Bonfas e eu.
Outro assunto que os legionários não querem mais saber é sobre qualquer polêmica envolvendo o filho de Renato Russo. Recentemente, foi notícia na internet que esse projeto terá que dividir os lucros da turnê com Giuliano Manfredini, mas Bonfá não confirma nem desmente.
— A gente nem procura mais falar disso. Tem advogado para cuidar dessa história e as decisões na Justiça vão saindo. A gente quer é tocar.
Fonte: R7, por Daniel Vaughan






