Clubes de leitura têm conquistado cada vez mais espaço entre os leitores brasileiros. Em Aracaju, iniciativas voltadas aos mais diversos gêneros e públicos vêm fortalecendo esse movimento e criando oportunidades de encontro, conexão e amizade entre pessoas que compartilham o interesse pela literatura.
E os clubes são para todos os gostos, com uma diversidade que se reflete nas temáticas: há clubes dedicados à leitura de autoras mulheres, para literatura de viés existencial, para o público LGBTQIANP+, clubes focados em literatura regional. Dentro desta perspectiva, surge o Clube Gaia, um espaço que utiliza a literatura como ponto de partida para discutir mudanças climáticas, sustentabilidade e outros desafios socioambientais contemporâneos.
A proposta do clube é ler e dialogar sobre livros de ficção e não-ficção que têm como pano de fundo algum tema ambiental e assim despertar o interesse para esses temas, compreendendo a realidade das mudanças climáticas a partir da visão de autores brasileiros e internacionais.
Criado pela ONG Instituto Agir Ambiental, o Clube Gaia incentiva a realização de encontros locais em diferentes cidades do país. Depois das edições realizadas em Ribeirão Preto e da primeira experiência em Aracaju, o clube retorna à capital sergipana para seu segundo encontro.
O livro discutido será o nacional Ao Mar, da autora Ana Wolfe, uma ficção climática que se passa no ano de 2030 e conta a história da jovem Manoela, que tenta sobreviver e se reconstruir em meio a um mundo que colapsou quando o nível do mar avançou 80 metros. Nesse cenário distópico, Manoela tenta chegar às ilhas artificiais da região — refúgios que deveriam acolher as vítimas da crise ambiental, mas que foram dominados pelo poder econômico. Uma obra que além de envolver o leitor, ainda traz reflexões pertinentes sobre desafios socioambientais.