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ENTREVISTA | Corações Naufragados: Nos bastidores com a roteirista Cacilda de Jesus

por Xanthia Valentim

 

Historiadora, atriz, cineasta e roteirista, Cacilda entregou a Sergipe em 2025 mais do que um filme, mas uma verdadeira ode à cultura e história sergipana. Em entrevista para a AjuFest, ela falou mais sobre o projeto que tem sido sua prioridade desde Abril de 2025 e que está sendo finalizado para o lançamento, Corações Naufragados.

 

A.F: Qual foi a imagem ou conceito que te fez iniciar o roteiro, formar a ideia do enredo na sua mente?

Quando eu tomei contato com a história dos torpedeamentos foi através da minha avó, minha avó, ela é uma historiadora nata. Ela pescava com meu avô em toda aquela região ali. Minha avó, Ana Merentina, e meu avô, Elísio. Inclusive, eles estão no filme, eu homenageio os dois com uma cena dos dois no filme.

 

Então, um dia eles dormiram e quando acordaram, a praia estava tomada por destroços. Quando minha avó contava essa história, normalmente ela se emocionava. A primeira vez que eles viram o leite condensado eles pegaram na praia, né, ela disse que tinha caixa de remédio, roupas, sapato e tinham 2 malas de couro que a gente brincava.

 

E, como historiadora, eu dou muito valor à memória, né, porque, por meio da memória, a gente descobre tanta coisa. Então, Corações Naufragados me toca bastante, porque é uma forma também de resgatar essa história da minha avó. Ela esteve lá, ela viu os náufragos, ela acolheu. Então, a história de escrever o filme, eu acho que veio muito dessa coisa da minha avó, foi uma influência muito grande.

 

 

A.F: Por que C.N é um filme importante para o cinema nacional?

Corações Naufragados extrapola os muros de Sergipe, a gente está falando de mundo. Então, um fato como esse, Sergipe ainda não se apropriou, por mais que tenha sido uma tragédia. Às praias, chegaram mais corpos do que sobreviventes.

 

Imagine então, você dormir e acordar com esse terror e, por muitos dias, os corpos chegando, os corpos chegando, e aí o que acontece é que, mesmo sendo um fato tão importante, que liga o Brasil na 2ª Guerra e faz o governo Getúlio Vargas declarar a guerra, ainda é um fato esquecido. Mesmo os sergipanos, que passam ali pela Rodovia dos Náufragos, não sabem por que se chama Rodovia dos Náufragos. Não sabe que o Hospital Amparo de Maria foi um hospital que atendeu vítimas na 2ª Guerra, não sabe que os pilotos do aeroclube foram os primeiros pilotos do Brasil a entrar em operação com poucos recursos dos aviões.

 

A importância de Corações Naufragados é contar uma história recente do Brasil, que poucos brasileiros conhecem e que foi uma tragédia.

 

O desafio é ser uma roteirista iniciante, para mim. Eu não queria que essa história fosse só a história da guerra, eu queria contar uma história de romance. Eu tenho alguns sonhos que são recorrentes. Eu sonhava com uma moça que ia para a beira da praia, e esperava por um marinheiro, então ele vinha no navio, numa canoa pequena, quando ele chegava na praia e eles iam se encontrar, alguém a puxava pelos cabelos. Passei a minha vida toda sonhando com isso. E, quando me veio a vontade de escrever o romance histórico, era para contar essa história de amor desse casal. E aí o maior desafio foi decidir se eu iria escrever uma história de guerra, ou um romance, e eu optei pelo romance em tempo de guerra.

 

E o desafio também foi escrever um roteiro de longa-metragem, inclusive eu precisei de ajuda, né, eu tenho o Isaac Serrao, que veio colaborar comigo. Então o maior desafio foi escrever o meu primeiro roteiro para falar de uma história tão importante, e decidir se eu ia escrever só uma ficção sobre guerra ou se seria uma história de amor.

 

E eu acho que esse casal do meu filme, é o casal que eu sonho.

 

A.F: O que você, pessoalmente, gostaria que o público sentisse ao assistir ao filme?

Eu espero que o público se emocione. E espero também que esse filme, como muitos filmes brasileiros, que conta que conta um fato histórico, traga conhecimento, sensação de pertencimento, principalmente do povo de Sergipe.

  

Atualmente, o filme está em fase de montagem e aplicação de CGI para algumas cenas. A previsão é que o lançamento seja para depois de agosto.

 

Animados? Não mais do que eu!

 

 

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