Durante a apresentação dos trabalhos da disciplina de Anatomia, ministrada pelo médico, professor e presidente da Sociedade Médica de Sergipe (Somese), Dr. José Aderval Aragão, estudantes de medicina da Universidade Federal de Sergipe (UFS) explicaram a importância da doação de corpos como objeto de estudo para os cursos das áreas de saúde.

A Anatomia Humana é a ciência que estuda a morfologia e a estrutura dos seres humanos e uma das formas de estudo mais eficientes é por meio da dissecação de cadáveres. Não só a área da medicina estuda a Anatomia, mas também outras, como: enfermagem, nutrição, biomedicina, fisioterapia, etc. para conhecimento especializado da profissão.

De acordo com a estudante de medicina e uma das divulgadoras do projeto, Júlia Dórea Fontes, a doação de corpos é um projeto relativamente novo na UFS, mas de grande importância. “Apesar de existirem bonecos feitos de materiais sintéticos disponíveis para estudo, o cadáver é indispensável para o maior entendimento das estruturas. A quantidade de corpos é insuficiente para atender a demanda de uma forma mais ampla dos alunos porque não é só o curso de medicina que utiliza o laboratório”, pontuou Júlia.

Segundo o professor Dr. José Aderval Aragão, o material humano para estudo está cada vez mais escasso e acaba comprometendo o ensino dos alunos na disciplina de Anatomia Humana. “Por esse motivo, os estudantes realizam campanhas voluntárias destacando a importância da doação de corpos para o estudo anatômico”, explanou Dr. Aderval.

Júlio César Oliveira, um dos divulgadores do projeto e estudante de medicina explica que aprende no curso que o médico deve ser mais humanizado e manter contato com o corpo ajuda a desenvolver um tratamento mais humanitário. “Vamos estudar o cadáver como nosso primeiro paciente com zelo e respeito. Como vemos muita teoria, o material humano faz a diferença para a prática e cada corpo humano tem sua peculiaridade e é importante ser estudado”, apontou Júlio.

Como Doar

Ao doar o corpo após o falecimento ele não será enterrado e nem cremado, mas ficará no laboratório de Anatomia da Universidade para ser estudado pelos alunos de graduação e pós-graduação com o respeito que merece com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino oferecido aos alunos da área da saúde e futuros profissionais.

O corpo fica sob responsabilidade legal da Universidade, que tomará todas as providências para o armazenamento adequado e a disposição final, após a utilização, conforme legislação em vigor.

Legislação

De acordo com o Artigo 14 da Lei 10.406/2002 (Código Civil), é válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte para depois da morte. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo. Para a doação é necessário que a pessoa seja maior de 18 anos e tenha a intenção do ato. Já menor de 18 anos será necessário o consentimento dos responsáveis.

A Lei 8.501/1992, em seu art. 2º, regulamenta o recebimento de corpos não-reclamados: o cadáver não reclamado junto às autoridades públicas, no prazo de trinta dias, poderá ser destinado às escolas de medicina, para fins de ensino e de pesquisa de caráter científico.

Fonte: Assessoria de Imprensa


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