Cantor compôs jingle publicitário mais tocado do Mundial

Anitta, Thiaguinho e Brazza na gravação da música
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Mesmo que o Brasil não se torne hexa, a Copa de 2018 já terá sido inesquecível para Fabio Brazza. O músico, que compôs e cantou ao lado de Anitta e Thiaguinho a trilha publicitária Mostra Tua Força, Brasil, feita por encomenda para a época do Mundial, viu sua tímida porém bem-sucedida carreira de rapper do cenário independente mudar a partir da veiculação repetitiva do comercial na TV e web.

Ver os olhos do público se voltar para o trabalho dele através de um vínculo com o banco que mais lucrou no País, no entanto, sempre vai gerar críticas e questionamentos, ainda mais quando trata-se de um artista de rap conhecido por direcionamentos ideológicos claros sobre assuntos como racismo, economia e sexualidade nas redes sociais.

Mas ele admite que isso não o preocupa. Para Brazza, recusar o convite (cujo cachê não foi revelado) jamais passou pela cabeça. O rapper é totalmente a favor de músicos fora do eixo radiofônico ocuparem espaços privilegiados como esse.

— Eu acho que os rappers têm que se conectar cada vez mais com a marcas e saber extrair o que elas têm de bom para agregar no seu trabalho pessoal, porque hoje no Brasil não adianta a gente só querer cantar rap. Isso é uma utopia. Eu vou cantar nas quebradas e faço vários shows, a maioria de graça, e quando eu faço esses trabalhos com poesias e rap, eu ganho pouco, então tem que saber fazer essas conexões com as marcas também para investir e dar visibilidade para o rap. Esses trabalhos com marcas são importantes cada vez mais para o rap. Eu não vejo nada de mal, muito pelo contrário, vejo uma porta se abrindo.

Para ele, a oportunidade de inserir um rapper num projeto tão grande como esse também ajuda a diminuir a marginalização do estilo.

— Hoje em dia, [o rap é] o movimento mais revolucionário e original da música popular brasileira. Se você for ver, é o rap, e talvez o funk, que estão criando as coisas mais novas e transgressoras da música e, acredito que se continuar assim, o rap tem muito caminho dentro na música popular brasileira.

Atleta antes da música

Ter o futebol como fator indireto das recentes conquistas profissionais faz bastante sentido e também ajudou Brazza a criar esse sucesso involutário — inclusive, o primeiro da carreira em escala nacional. Isso porque, antes de se dedicar exclusivamente à música, ele passou pelas categorias de base do Palmeiras e chegou a tentar, sem sucesso, a vida como jogador nos Estados Unidos.

— Eu cresci querendo ser jogador, eu amo esse esporte. Talvez eu seja o único rapper que faça rap falando de futebol. Eu cresci enxergando o futebol por uma outra perspectiva. Na minha vida ele teve um papel muito bom, que quebrou barreiras culturais e sociais, me fez aprender valores fundamentais da vida, que me conectou com outras realidades. O futebol é um símbolo da nossa identidade nacional muito poderoso, assim como o samba.

Fabio Brazza: sucesso publicitário abriu portas
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Com o sonho não realizado no esporte, falou mais alto o gosto pela poesia, herdada do avô, o escritor concretista Ronaldo Azeredo. E foi morando no exterior que Brazza se redescobriu como cidadão brasileiro e se encontrou com as sonoridades que permeiam os dois elogiados discos dele: Cidadão Brasileiro (2014) e Tupi or Not Tupi (2016).

— O Brasil tem tem muitas qualidades e é um País grande. Então eu tentei de alguma maneira trazer no discurso do meu som impactado por essa experiência, essa vergonha e esse orgulho de ser brasileiro. Eu acho que não adianta só criticar o País como se a gente não fizesse parte. Tem que criticar, mas também tem que mostrar o lado bom. Ou uma solução: porque nós não estamos aqui apenas para reclamar do País.

Sucesso gerou acústico

Para aproveitar a nova fase e se aproximar do público que o conheceu através do hino publicitário, Brazza vai lançar um projeto acústico com as participações de Negra Li, Cynthia Luz, Gabriel Elias, entre outros. A ideia de Brazza é “amansar” o discurso e o som para quem acabou de conhecê-lo.

— Eu tentei trazer nesse trabalho o equilíbrio entre o meu discurso e a musicalidade, para que eu consiga atingir pessoas, além do rap, e consiga dar mais protagonismo para o meu texto, que é forte. Acho que este é um trabalho muito rico e talvez seja o mais maduro que eu tenha feito a essa altura.

Essa nova faceta de Brazza, menos politizada, vai de encontro também com o momento de polarização política vivida no País. Se o cantor já foi porta voz dos nordestinos e da militância LGBTI+ em textos e vídeos do passado, ele deixa essa postura um pouco de lado no momento por preferir não lidar com a recepção agressiva das redes sociais.

— Eu estou entendendo como conciliar e conversar com as pessoas sem que isso gere uma polêmica negativa e desnecessária, mas que as faça refletir e entrar no debate de uma maneira saudável. Não é que eu não tenha mais esse posicionamento político forte. Eu aprendi que quanto mais você entra em certos tipos de polêmicas, mais você fragmenta ao invés de disseminar a ideia que quer passar.

Fonte: R7, por Helder Maldonado


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