pma palestra sexualidade na infancia

A reação da grande maioria dos adultos depois que seu filho faz perguntas do tipo “Como eu nasci?” ou “Como o meu irmãozinho foi parar dentro da sua barriga?” e mesmo quando “flagramos” a criança brincando com os seus órgãos genitais é de surpresa e, em alguns casos, de constrangimento. Na maioria das vezes os pais não sabem como abordar o tema, por isso, a Secretária Municipal da Saúde de Aracaju realizou durante todo o dia dessa terça-feira, 11, uma Oficina de Capacitação de Sexualidade Infantil para os professores da rede municipal de ensino infantil e profissionais da saúde.

A oficina aconteceu de manhã e a tarde no Centro Municipal de Aperfeiçoamento de Recursos Humanos Professor Fernando Lins de Carvalho, localizado no bairro Siqueira Campos. À noite, essa mesma palestra será realizada no auditório da Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Vargas, às 18h30. Esta oficina conta com a parceria da Universidade Tiradentes.

A referência técnica do Programa Saúde na Escola (PSE), Ilziney Simões da Silva Correia, relata que este tema ainda é um tabu. “O intuito dessa oficina é instrumentar esses profissionais a cerca dessa temática, para que eles saibam como é trabalharem as crianças do ensino infantil sobre esse assunto. O nosso público-alvo são crianças de 3 a 5 anos e seus pais”, explica.

De acordo com Ilziney Simões, essa foi uma necessidade levantada pelos próprios profissionais da educação, por perceberem que em algumas unidades de ensino as crianças estão lidando muito precocemente sobre essas questões de sexualidade. “Outro problema que encontramos é que em bairros de periferia muitas casas possuem apenas dois cômodos, a criança acaba vendo algo que não devia, diante disso, surge a necessidade de trabalhar esse assunto nas escolas, de uma forma lúdica, dinâmica, ensinando o que pode e o que não podem fazer com ela, por exemplo, o papai dar cafuné na cabeça pode, mas mexer nas partes intima não pode”, destaca.

A referência do Núcleo de Prevenção Violência e Acidentes (Nupeva), Lidiane Gonçalves, afirma que esse trabalho vai ser estendido aos pais e responsáveis para que a escola, as unidades de saúde, junto com a família, possam orientar e proteger as crianças. “O maior erro dos pais é dizer não pode isso, isso é feio, acabam gerando uma confusão na cabeça da criança e até um possível trauma, quando você aborda de uma maneira natural e sabemos que tudo que proibimos a criança de fazer, ela vai fazer. Claro que se acontecer de, por exemplo, a menina está mexendo em sua parte intima a mãe não deve brigar ou bater, pois vai acabar gerando um trauma nessa criança, que pode ter dificuldades sexuais no futuro. Quando você trata em uma linguagem lúdica o que pode e o que não pode, isso até ajuda possíveis abusos sexuais que infelizmente, na maioria das vezes, a violência acontece dentro da própria casa, é um pai, um tio ou um amigo da família. Ela sendo orientada desde pequena vai saber deduzir o que é carinho e o que é abuso, nesse caso, a parceria escola e família é fundamental para que a criança se sinta segura e relate o que aconteceu”, argumenta.

A professora Valéria Santos acha que essas palestras são fundamentais. “Trabalho com uma comunidade carente, onde vejo criança de 12 anos já sendo mãe, é lamentável ver que em vez de estarem brincando e estudando já estão tendo a obrigação de cuidar de uma criança, quando ainda são uma. Adorei as palestras porque podemos perceber que é possível tocar nesse assunto de uma forma lúdica, com brincadeiras, na linguagem delas. Saio daqui muito feliz e com a certeza de que quero ser multiplicadora e quem sabe contribuir de alguma forma como professora para que se tenha menos crianças tendo crianças”, falou emocionada a professora.

A técnica da coordenação de Políticas Educacionais para Adversidade, Flávia Cunha, falou durante a sua palestra que é necessário falar desse assunto que é tabu ainda hoje, de uma maneira fácil, descomplicada e na linguagem que eles entendem. “Todos os pais de todas as classes sociais podem e devem falar com seus filhos de forma natural sobre este assunto. Para os pais que ainda tem receio de como falar, uma ótima dica é o site www.pipoefifi.org , que traz dicas bem legais para os papais”, informa.

Fonte: SECOM Aracaju