Xodó da Vila era a única do estado que mantinha grupo mirim

É difícil imaginar um São João sem as cores e a alegria contagiante das quadrilhas juninas. A tradição que começou lá na França foi adaptada aos costumes brasileiros e por aqui permanece até hoje, animando diferentes gerações. Em Sergipe, dezenas de grupos adultos mantém viva a tradição, entretanto, apenas uma quadrilha da categoria mirim permanece ativa atualmente. E a tendência é que este contexto piore, já que por falta de incentivo a Quadrilha Mirim da Xodó da Vila paralisará suas atividades este ano, deixando o estado sem nenhuma representante na categoria.

Fundada há mais de vinte anos, a versão mirim da Xodó da Vila teve papel fundamental para a cultura sergipana, já que por ela passaram boa parte daqueles que dançam em grandes quadrilhas durante os festejos juninos locais. Segundo Etelvan dos Santos, que é o presidente da Quadrilha, os grupos mirins em Sergipe perderam força nos últimos anos, e apesar do desejo de dar continuidade as atividades da Xodó, a parte financeira acabou pesando. “A quadrilha mirim em Sergipe perdeu a força, e nós nos últimos anos mantivemos com as apresentações. Infelizmente neste ano estamos encerrando as atividades por falta de incentivo principalmente do Governo Estadual e Municipal”, afirma.

De acordo com Etelvan, só com os trajes a mirim gasta entre 18 e 20 mil reais anualmente. Neste ano, para encerrar as ações da quadrilha foram utilizadas vestimentas de outros anos, já que o grupo não teve suporte financeiro para bancar novas roupas. “O custo de uma quadrilha hoje está muito alto, e no caso da mirim a própria direção da Xodó da Vila é que consegue o traje, o custo com transporte, com os músicos e por isso está ficando inviável manter”, declara.

O presidente explica que a mirim tem o intuito, sobretudo de oferecer as crianças afazeres de cunho cultural, tirando-as do ócio. “A intenção do grupo Xodó da Vila é ocupar a mente das crianças com cultura. Mas a quadrilha junina não é só a parte cultural, ela é um trabalho social que além de ocupar a mente das crianças realmente ensina a pessoa a ter responsabilidade, disciplina e principalmente a viver em grupo”, acredita.

Atualmente cerca de 30 crianças com idades entre 5 a 14 anos integram a quadrilha. Na última quinta-feira, 21, elas fizeram uma de suas últimas apresentações. O palco foi a Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Francisco Guimarães Rollemberg, no Conjunto Jardim Esperança, Inácio Barbosa, bairro de onde a quadrilha teve origem. “Daqui há alguns anos se houver algum incentivo a gente pode voltar, porque sei da necessidade de manter, mas infelizmente a parte financeira está afetando todo nosso grupo”, lamenta Etelvan, quando questionado sobre o desejo de rotornar com as atividades futuramente.

Secult

Portal Infonet entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), na semana passada, que ficou de enviar um posicionamento sobre o caso, mas até a publicação desta matéria não obtivemos resposta. A equipe de reportagem continua à disposição por meio do telefone (79) 2106 8000 e do jornalismo@infonet.com.br.

PMA

Portal Infonet também entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) na semana passada, que também ficou de se posicionar sobre o caso, mas até o momento não obtivemos retorno. A equipe de reportagem continua à disposição por meio do telefone (79) 2106 8000 e do jornalismo@infonet.com.br. 

Fonte: Infonet, por Yago de Andrade


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