A Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Aracaju (SMTT) já recorreu da decisão judicial que determinou a retirada das faixas exclusivas para ônibus, previstas na Lei de Mobilidade. No entendimento da SMTT e do Setransp, a mudança pleiteada pelo Ministério Público Estadual (MPE) aponta para um retrocesso no plano de mobilidade em desenvolvimento e não considera as vantagens da utilização do recurso, que segundo os gestores, não tem relação direta com o sistema Bus Rapid Transit (BRT).
As faixas azuis foram instaladas nas Avenidas Tancredo Neves e Beira Mar em março deste ano, e ficaram apenas cerca de um mês em operação, mas foram suspensas por conta de reclamações da população que também levaram o MP a intervir no caso.
A alegação dos promotores para remoção da sinalização é de que a SMTT não deveria destinar vias exclusivas para o transporte coletivo sem a adequação na malha viária da capital e finalização do BRT. “No caso específico de Aracaju as faixas estão previstas dentro do sistema BRT, que é uma rede hierarquizada, composta de estações, terminais, corredores que terão que ser construídos, talvez em cinco anos”, argumenta a promotora Mônica Hardman.
No entanto, para o superintendente da SMTT, Nelson Felipe, o juízo do MP possui equívocos, na medida em que, as faixas não são parte do projeto BRT, mas a alternativa encontrada pelo órgão de trânsito para melhorar a mobilidade do transporte público, que atende a maior parte da população da região metropolitana. “Cerca de 70% das pessoas utilizam o sistema de ônibus. Retirar a faixa é um retrocesso, uma perda para o trabalhador, a dona de casa que teria o tempo de seu deslocamento reduzido em 20%”, aponta.
“As faixas são uma evolução que prioriza a maioria da população, mas que usa menos de 25% das vias. Elas não estão anexadas ao BRT ou a qualquer outro equipamento de transporte, são ferramentas de mobilidade que se unem”, acrescenta o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros da Grande Aracaju (Setransp), Alberto Almeida.

O presidente do Setransp destaca ainda vantagens da utilização das faixas exclusivas constatadas por outras cidades que passaram a destinar uma área apenas para circulação dos coletivos. “Com o corredor exclusivo, o operador do veículo tem menos desgaste circular, o usuário passa a ter previsibilidade de chegada, além da redução no consumo de combustível, e consequentemente, na emissão de gases poluentes, ou seja, favorece a todos”, completa Almeida.
Trânsito Melhor
Detentora do posto de capital com o pior trânsito do Brasil, segundo levantamento da empresa TomTom, especializada em GPS, em 2013, Recife (PE) passou a se debruçar sobre alternativas para acelerar a melhoria da mobilidade. A mais barata, eficiente e acessível, até agora, foi a implantação das faixas azuis. De lá para cá, a taxa de congestionamento caiu de 82% para 43% no rush noturno.
O trânsito na capital pernambucana ainda não é o dos sonhos, mas esse resultado foi alcançado graças a dois fatores: planejamento e educação da população, como explica a engenheira de trânsito, Taciana Ferreira, presidente da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU). Segundo ela, apesar de parecer uma novidade que assusta e ameaça a fluidez do trânsito, as faixas azuis priorizam os usuários do transporte, mas sem esquecer aqueles que trafegam em outros modais.




