Considerado um dos maiores políticos de Sergipe das últimas décadas, o ex-governador de Sergipe, Marcelo Déda, fez uma incursão pelo cinema na juventude, com gravações de curtas metragens e participações como ator em algumas produções. A obra do ex-governador está sendo homenageada pela Fundação Cultural de Aracaju (Funcaju) na Semana Marcelo Déda de Cinema, aberta ontem (7) no Centro Cultural de Aracaju, como parte das comemorações do aniversário da capital.

ASCOM/FUNCAJU / FOTO: JANAÍNA SANTOS

A exibição dos curtas ‘Carro de Bois’ e ‘São João: Povo em festa’, e uma mesa redonda com a participação do presidente da Funcaju, Sílvio Santos, da professora e escritora, Beatriz Goiz Dantas, e do presidente do Instituto Marcelo Déda (IMD), Oliveira Júnior, marcaram a abertura do evento que prossegue até o dia 15 de março. No dia 11 será lançado o 1º Prêmio de roteiro Marcelo Déda que destacará três trabalhos com R$ 2 mil. O ex-governador também será homenageado com a mostra de fotografias ‘Semeando Sorrisos’, da fotojornalista Janaína Santos. A exposição será aberta neste sábado, 11, dia do aniversário de Déda.

Parceiro de Marcelo Déda na vida pública e companheiro do ex-governador numa amizade surgida na luta dos movimentos sociais, Sílvio Santos disse que a Aracaju deve homenagens a Déda, que por duas vezes foi prefeito da capital. “A obra de Marcelo Déda joga luz numa discussão sobre o que é esta cidade, como pensava, como funcionava a cabeça do homem que se tornou uma referência política em Sergipe. Ele era muito talentoso, tinha conhecimento universal das coisas”, explica Sílvio.

Presidente da Funcaju, Silvio Santos, falou da grande participação política ativa do ex-governador. (Fotos: Edinah Mary)

A professora Beatriz Góis Dantas abriu a mesa de debates mostrando o cenário que fez surgir várias produções cinematográficas no Estado, citando como exemplo o Festival Nacional de Cinema de Sergipe, o Fenaca, o Clube de Cinema de Sergipe, e especialmente o Festival de Arte de São Cristóvão (Fasc), alguns dos eventos idealizados pela Universidade Federal de Sergipe que fez surgir nomes como Marcelo Déda. “O Fasc teve uma grande influência no surgimento de várias produções e de nomes no cinema sergipano. Foi criado para ser uma festa temporária e se tornou um evento reflexivo”, disse Beatriz.

Oliveira Júnior disse, durante o debate, que tudo começou no Colégio Atheneu Sergipense, quando ele e Marcelo Déda fundaram um clube de cinema, o Cineseas. A partir dali, além da amizade, se firmou uma parceria que resultou em várias produções. O presidente do IMD lembrou que Marcelo Déda fez desenhos, roteiros de curtas, poesias e participou de algumas produções como ator. “Ele também participou de algumas exposições de pintura com óleo sobre tela”, observou.

O ativismo cultural de Déda, segundo Oliveira Júnior, acabou colaborando para o legado político do homem que virou prefeito da capital e governador do Estado. Segundo ele, produzir cinema naquele período autoritário, a década de 70, era complicado e caro, porque exigia muito conhecimento e recursos financeiros. “O cinema é como uma orquestra, precisávamos entender de luz, por exemplo, para poder usar a câmera Super Oito. Para nós, fazer filme, era dar voz ao povo”.

ASCOM/FUNCAJU